Método oficina valorizando desenho, aplicando cor.
Cesar Otacílio
Redação:Tácio Morais Neto
capítulo I
Introdução.
Este ensaio: Método Oficina Valorizando Desenho, Aplicando Cor; de Cesar Otacilio (comemorativo aos seus 30 anos de carreira de artista plástico), tem como objetivo:
- A propagação da prática e realização de oficinas experimentais de desenho artístico, para estudantes do ensino fundamental;
- A reflexão sobre o valor da prática do desenho, criativo e de observação, ao desenvolvimento intelectual no aluno;
- A necessidade de valorização desta matéria, para crescimento cultural nos estudantes do ensino fundamental.
No Brasil, a prática do desenho criativo e de observação, não recebe valor devido, mesmo educadores saber que melhora o sentido da observação, contribui para moldar personalidade e aumenta capacidade de análise e crítica no aluno, algo comprovado por teorias, experiencias e pesquisas científicas de estudiosos, como: do suíço J. H. Pestalozzi, do brasileiro Rui Barbosa e da americana Betty Edwards, entre outros.
Desenhando, comprovou-se: o praticante sente-se com poderes para melhorar tudo ao redor, em ser alguém que molda sua personalidade nos princípios da busca da qualidade de vida. A prática do desenho, desta forma, pode ser utilizado como ferramenta ao combate de muitos problemas sociais na sociedade moderna.
Atualmente, tornou-se comum ouvir, ver, saber de graves problemas envolvendo jovens. Perturba constatar que nas periferias e ruas das grandes cidades, aumenta número de crianças e de adolescentes perdidos socialmente: mendigando nas esquinas, envolvidos com violência, consumindo substancias químicas ao invés de comida, prostituindo-se com quem pagar, sendo estuprada dentro de casa, furtando o que conseguir, morando onde possível, da maneira possível. Algo vergonhoso nos nossos dias, deve ser combatido, de uma forma ou outra, para que isto deixe de existir, ou no minimo, que isto venha diminuir.
Para assim acontecer, precisa-se preparar psicologicamente as crianças e os adolescentes a serem pessoas seguras, de opiniões próprias que tenham objetivos construtivos e ajam com sabedoria e honestidade em todas as situações a se depararem.
Precisa-se fortalecer ainda mais a autoestima nos estudantes, aumentar o poder de observação a curiosidade e o interesse por algo produtivo, belo, desafiador e apaixonante. Não é de agora preocupação com este problema, as escolas convivem diariamente com isto e muitos estudiosos debruçaram-se sobre ele através dos séculos. Destas pesquisas, conhece-se uma das conclusões mais relevante: o desenho ministrado nas escolas pode criar meios psicológicos para combater, silenciosamente e sem imposição, muitos problemas sociais; até evitá-los.
Aprender, ou melhor, criar coragem para desenhar o que surgir, já que todas as pessoas tem seu próprio desenho, igual voz, espécie de impressão digital, direciona o aluno a escolher naturalmente seu caminho, tanto no desenho quanto na vida, buscando crescimento para si e para a comunidade onde vive.
O conhecimento básico das técnicas de desenhar faz com que o aluno desenvolva gosto por criar imagens plásticas, após, procurará desenhar periodicamente cada vez mais satisfeito por saber capaz de realizar criações artísticas. A partir desta aventura as crianças e os adolescentes passarão a exigir-se mais e, sem aperceberem, analisarão mais suas ações a situações que surgirem, traçarão objetivos construtivos, preocupar-se-ão em ser cidadãos respeitados por todos.
Os exercícios propostos nesta metodologia são de interatividade com a região onde a oficina está sendo, ou será, ministrada. Buscar-se-á com temática direcionada explorar o talento que cada pessoa possui para desenhar, fortalecer o traço pessoal e estimular a maneira própria que todos tem para se expressar a um resultado visual.
Este método é de valorização ao desenho, apenas um caminho alternativo para o desenvolvimento dos sentidos, da observação e do intelecto humano. Não tem somente a pretensão de formar desenhistas para disputar espaço no mercado de trabalho, mas, também, que os praticantes sejam pessoas pensantes, conhecedoras de técnicas diversas de desenhar e fazer aplicações da cor seguros do seu traço, não importando qual seja, ser pessoas criativas, ousadas, pesquisadoras, intrépidas, serenas, humoradas, tranquilas e trabalhadoras. Porque a prática do desenho implanta, direciona, exige isto aos praticantes, faz parte do espírito para praticar desenho.
Método Oficina Valorizando Desenho, Aplicando Cor; de Cesar Otacílio, é um incentivo a realização de desenhos por qualquer pessoa, um estímulo a produção desenhística para todas as classes, uma valorização a criatividade e ao sentimento humano, a prática da maior criação que o homem desenvolveu para seu crescimento intelectual: o desenho.
capítulo II
Somos todos desenhistas.
O homem sempre desenhou.
O desenho surgiu com ele nas cavernas, foi sua primeira manifestação intelectual. Através do desenho, percebeu que podia comunicar-se, registrar sua existência, divulgar e fortalecer crença religiosa, propagar costumes e sua cultura.
Com o desenho, o homem interessou-se em mostra seu cotidiano nas cavernas, suas festas nos castelos, as pestes nas cidades medievais, fome do povo, riqueza das vestimenta dos reis, a soberba de rainhas e a arquitetura esplêndida de povos desaparecidos.
Desenhando, o homem melhorou seu lugar de morar, aprimorou local de viver; criou armas, máquinas, veículos, roupas, sapatos e botões. Impossível imaginar a evolução humana sem o domínio do desenho.
O desenho é a própria evolução do homem.
Sem o desenho, o homem ainda estaria morando nas cavernas, guerreando com pedaços de paus e pedras, andando descalço, não teria fabricado casas, pontes para ligar cidades, locomotivas para transportar cargas, nem naves espaciais para viajar no espaço.
Quando se fala em invenção mais importante para a humanidade, estudiosos garantem ser a escrita, a imprensa, o papel, etc. Mas é preciso lembrar: antes, o homem desenhou; as palavras, as invenções e os utensílios; criou desenhos para alegrar-se, sonhar, ver beleza.
Desenhando o homem se desenvolveu, e, desenvolveu tudo que precisou.
Sem o desenho, não teria conhecido o fundo do mar, a imensidão do espaço, estudado a parte interna do seu próprio corpo, ou feito as joias para presentear mulheres. Com o desenho, o homem brinca de ser um deus, fazer tudo que quiser, sentir-se o ser mais poderoso da terra.
O homem, só não projetou, através do desenho, a natureza a sua frente, nem as formas que ela tem. Mesmo assim, ele morre de inveja da beleza dela e, desde sempre, está na luta para reproduzi-la; nunca se cansa de copiar suas formas; jamais demonstrou cansaço para pintar suas maravilhas: florestas,montanhas, lagos, mares, peixes, animais, pássaros, frutos e flores.
Nada passa imune ao desenho do homem: cavernas, cabanas, iglus, castelos e edifícios de cem andares.
O homem, desenha desde quando nasce, e todos desenham; de uma maneira ou de outra. Não importando classe social, formação cultural.
Mesmo aqueles que acreditam impossibilitados de tal aptidão, estão sempre desenhando.
Como quando estão dirigindo carro e, sem aperceberem, desenham no cérebro o melhor traçado para o veículo, desenham também quando estão distribuindo móveis na sala, acompanhando a trajetória da bola num jogo de futebol, ao subir escadas no escuro pensando nas posições dos degraus, ou na imagem da casa que pretendem construir.
Desenhar, pode ser no papel, no cérebro, ou no ar quando se faz sinal a alguém.
Desenhar bem, não é imitar grandes mestres: Reembrandt, Rafael, Delacroix, Góya, Cézanne, Appel, Portinari ou Tarsila do Amaral.
Desenhar bem, é desenhar feito criança, sem pensar muito no que esta fazendo, deixar-se levar pelo próprio desenho, sentir-se satisfeito com os resultados no papel, feliz com a criação conseguida, ou sentir-se desafiado a produzir outro desenho usando os conhecimentos aprendido com o anterior; porque, desenhar é assim: simples, desafiador, emocionante; apaixonante.
É para todos os homens; todos nascem desenhistas.
Capítulo III
Metodologias de ensino do desenho,
e pensamentos pedagógicos modernos.
Na desenvolvimento deste método para valorização do desenho artístico, Método oficina valorizando desenho, aplicando cor; de Cesar Otacílio, diversas práticas pedagógicas foram dissecadas acerca do ensino do desenho nas escolas. Aprofundou-se no conhecimento dos pensamentos, teorias, experiencias de diversos ícones do pensamento da moderna educação, e de métodos de ensino do desenho nas escolas praticados em países, como: Alemanha, Inglaterra, Itália, Estados Unidos e Brasil.
O francês Jean-Jaques Rousseau (1712-1778), dizia:A educação deve seguir a natureza e os princípios da liberdade, da bondade inata do ser e da personalidade individual de cada criança. A preparação deve basear-se no estudo das coisas que correspondem às suas necessidades e interesses atuais. Antes de ensinar as ciências, elas precisam ser levadas a despertar o gosto pelo seu estudo. Os verdadeiros professores são a natureza, a experiencia e o sentimento.
Já o pensador suíço Johann Heirich Pestalozzi ( 1746-1827 ), considerado entre os maiores pensadores das práticas pedagógicas, um dos criadores do “método intuitivo”, que, consistia na valorização da intuição como fundamento de todo conhecimento, defendia uma educação não repressiva com cultivo ao sentimento, da mente e ao caráter. Popularizado como lição de coisas; lições pelas coisas, pelos olhos, pelos ouvidos, pelo tato, pelo cheiro e pelo gosto; este método constituía no modelo implantado, primeiro na Alemanha, Estados Unidos e alguns países da Europa, depois no Brasil. Era o mais moderno caminho para produzir o cidadão racional que respeita as leis, ama a si e a seu local de vivencia, confia no progresso social e científico. Defendia que as crianças são boas por natureza, tem tendencia natural para se desenvolverem.
Pestalozzi dedicou ampla atenção ao ensino como meio do desenvolvimento das capacidades humanas, como cultivo do sentimento, da mente e do caráter. Para ele, a educação verdadeira e natural conduz a perfeição, à das capacidades do homem. Essas capacidades se revelam como unidade da mente, coração e mão (ou arte), e devem ser devolvidas por meio da educação intelectual, física, moral e profissional, estreitamente ligadas entre si. Nesse processo, dizia:o meio essencial da educação intelectual é a intuição, que pode ser acentuada com a educação artística e atividades práticas de desenho. Pestalozzi é apontado como referencia da renovação pedagógica, proferiu suas teorias na Exposição Universal de Paris em 1867, estas são consideradas uteis e válidas ainda hoje.
Nesta linha do pensamento pedagógico, destaca-se o jurista e orador brasileiro Rui Barbosa de Oliveira(1849-1923) com reflexões e reformas nas instituições escolares.
Entre as reformas, propôs mudanças no sistema educacional, entre elas, principalmente, a inclusão da disciplina desenho nas escolas brasileiras, defendia a educação por meio do desenho; insistia, inclusive, na obrigatoriedade desta matéria para o ensino primário. Afirmava que o desenho era importante, ajudava o estudante a desenvolver seu poder de observação e de execução - o que justificava sua utilidade para a educação profissional. Discursava que o desenho é um dote acessível a todos os estudantes, e todas as pessoas poderiam desenvolver conhecimento para criar belas imagens.
Este é o mesmo pensamento, o da autora norte-americana Betty Edwards (1926), no livro “desenhando com o lado direito do cérebro” de 1984. Evidencia: o aprendizado da habilidade do desenho de observação pode ser desenvolvido por qualquer pessoa. Também, a exemplo de Barbosa e outros pensadores, desenhar bem não depende de um talento inato, todas as pessoas nascem com aptidão para desenhar. No seu livro, propõe exercícios com teorias ousadas e mudanças radicais no conceito do ensino aprendizagem do desenho de observação. Garante: seguindo as sequencias de explicações e exercícios propostos no seu livro/método, qualquer pessoa considerada normal, dotada de visão e coordenação manual medianas, cuja caligrafia seja legível, ou que seja capaz de escrever legivelmente em maiúsculas, adquira habilidade para aprender a desenhar bem.
Por outro lado, confrontando as teorias de iniciação científicas de Edwards com outros lançamentos editoriais sobre pensamentos pedagógicos, no livro: ”desenhar é fácil, bonito e necessário” de Veley Soutier da Rosa de 1979, sugere que o leitor pratique muito e copie exaustivamente, porque, para ele, só um trabalho constante e disciplinado poderá desenvolver capacidade artística. Este pensamento não é compartilhado por Edwards, que afirma não ser necessário prática e com apenas alguns exercícios resolve a questão, com seus leitores realmente conseguindo criar desenhos, como garante aqueles que praticaram o método, melhorando traços e criatividade.
Por este motivo, o livro/método de Edwards vem sendo utilizado por muitos professores como referencia em vários cursos livre de desenho, associando as pesquisas científicas da autora a uma nova metodologia para o aprendizado do desenho.
capítulo IV
Rui Barbosa, práticas do método intuitivo,
e teorias sobre a importância do desenho ao
desenvolvimento intelectual.
Como vimos, diversos pensadores (e muitos outros, não citados neste ensaio) debruçaram-se sobre a questão da importância do ensino do desenho nas escolas. Para o Brasil, Rui Barbosa e suas teorias sobre ensino de desenho nas escolas, estão entre os mais relevantes pensamentos para práticas do ensino moderno. Este estudioso desatacava nos seus discursos (foi também deputado estadual e senador pela Bahia), de que o desenho é, desde a pré-história, um dote acessível a todos os homens, nunca foi um privilégio exclusivo dos artistas. Desenhar, dizia, sempre fez parte da cultura dos povos, e foi desta maneira que se registrou imagens religiosas, festas, costumes, vestuários, gastronomias, aventuras, heroísmos, guerras, doenças, etc.
O desenho é realização intelectual do homem, ajudou na aprendizagem e desenvolvimento da escrita, uma vez que a humanidade seguiu este caminho evolutivo.
O homem desenhou antes de escrever, e, dizia Rui Barbosa, todos tem o dom natural para desenhar; mesmo sem saber.
Neste parâmetro, alguns anos antes da abolição, considerava que o Brasil não deslanchava por não dar importância ao desenho nas escolas. Nesta época, a Europa já desfrutava os benefícios da industrialização e, no Brasil, Barbosa se voltava para o futuro. Defendia a valorizando da educação como algo imprescindível para a vida em sociedade, e que o maior mérito do ensino era poder formar sujeitos capazes de servir a coletividade de modo produtivo.
Para o jurista, escritor, tradutor e orador, a solução de boa parte da falta de desenvolvimento no Brasil, no início da república, estava na valorização de uma disciplina nos colégios que ajudaria a formação do novo trabalhador desenvolver outras habilidades: o desenho. Este intelectual, famoso pelo seu domínio da língua portuguesa, detentor dos mais diversos conhecimentos, deu grandes contribuições à educação no país.
Em 1882, escreveu: “O dia em que o desenho começar a fazer parte obrigatória do plano de estudos na vida do ensino nacional, datará o começo da história da indústria e da arte no Brasil.” As transformações deveriam ser nas escolas, para que elas fossem capazes de contribuir decisivamente para melhorar a sociedade. Garantia que a inclusão da disciplina desenho, seria um grande avanço para alcançar esta meta.
Barbosa criticava que, no Brasil, ao contrário dos países mais desenvolvidos do mundo, o ensino do desenho era envolvido pela ideia de prenda de luxo e dom inato, um passatempo de ociosos, um requinte de distinção reservado ao cultivo das classes sociais mais ricas, ou vocação excepcional de certas naturezas privilegiadas para tentativas da arte. Defendia que o aprendizado do desenho deveria ser disciplina ministrada antes mesmo do estudo das primeiras letras, já que o desenho é uma inclinação natural do espírito humano. Apontava as contribuições do ensino do desenho às outras disciplinas do currículo escolar e para formação de um novo padrão de valores. O desenho, afirmava, é indispensável a prosperidade do país, ao mesmo tempo, um precioso auxiliar a vários outros ramos do ensino; a escrita, a aritmética, a disciplina, a um tempo, um espírito, a mão e o olho; inclina o estudante a ordem, a precisão; incute-lhe gosto, e inspira-lhe o amor ao belo.
Os discursos emocionados de Rui Barbosa, atraia multidões na sua época, e ainda hoje ecoa um dos mais famosos, proferido em 23 de novembro de 1882 na conferencia sobre educação realizada na sede do Liceu de Artes e Ofícios no Rio de Janeiro:
“Que agente é esse, capaz de operar no mundo, sem a perda de uma gota de sangue, essas transformações incalculáveis, prosperar ou empobrecer estados, vestir ou despir aos povos o manto da opulência? O desenho, senhores, unicamente, essa modesta e amável disciplina, pacificadora,comunicativa e afetuosa entre todas: o desenho professado às crianças e aos adultos, desde o jardim de infância até a universidade, como base obrigatória na educação de todas as classes sociais.”
Com o ensino do desenho não era esperado que surgissem grandes artistas, mas sim educar esteticamente a massa geral das populações, formando a um só tempo, o consumidor e o produtor, determinando simultaneamente a oferta e a procura nas industrias do gosto.
Rui Barbosa, mencionava que não bastava dispor de excelentes professores especiais de desenho, estabelecer bons cursos e boas escolas especiais; é mister que todos os mestres e mestras sejam habilitados a distribuir, nas escolas diárias, a toda população de suas escolas o ensino do desenho.
Defendia que o método a ser adotado na reforma do ensino deveria ser o “Lições de Coisas” ou “Método Intuitivo”, já bastante difundido no mundo. Barbosa, Interessado nos melhores métodos de ensino dos principais países, traduziu em 1886, o livro- manual “Primeira Lição de Coisas”(de 1861), do americano Norman Allison Calkins (1882-1895). Esse método, consiste em explorar os sentidos como instrumento do aprendizado, substituindo o caráter abstrato baseado na palavra e na memorização, por atividades que valorizassem a percepção e intuição do aluno. Devido ao uso dos objetos, à observação e ao resultado projetado, esse método é considerado por seus propositores como sendo concreto, racional, e ativo.
A função do método intuitivo era educar os sentidos, ensinar a observar, apoderar-se do espírito das coisas.
No Brasil, na década de 1880, o ensino do desenho associado ao método intuitivo, esteve constantemente relacionado à ideia de desenvolvimento industrial. Essa era a justificativa para consolidação de novas disciplinas nos currículos educacionais das instituições de ensino no país. Nesta época, o ensino do desenho assumiu papel relevante na educação para o trabalho, seja ele como objeto disciplinador, ou como forma de aperfeiçoar a mão de obra e cultivar o espírito ordeiro. A superioridade do método intuitivo consistia na colocação dos fatos e objetos para serem observados pelos alunos, a partir do que o conhecimento iria emergir com os dados fornecidos.
As coisas antes das palavras, a educação pelas coisas e não a educação somente pelas palavras; colocar a criança na presença das coisas, fazê-las ver, tocar, distinguir, medir, comparar, nomear, enfim, conhecê-las, este é o objetivo das “lições de Coisas”: intuição.
Segundo os pensadores do método, é a capacidade de ver, de observar. O processo natural de ensinar partia do simples para o complexo; do que se sabe para o que se ignora; dos fatos, para as causas; das coisas, para os nomes; das ideias, para as palavras; dos princípios, para as regras.
O método intuitivo era visto como principal meio para melhorar a instrução pública brasileira; uma nova forma de conceber o conhecimento, a qual preconizava que a origem são os sentimentos humanos.
Para além da memorização e da repetição de palavras e de textos, o método intuitivo propõe o contato direto da mente com a coisa, com o objeto, com a natureza.
Além de debruçar-se sobre a importância do desenho nas escolas, Rui Barbosa considerava o ensino da moral como complemento enraizado ao conhecimento criativo, e remédio e prevenção contra indulgencias e a criminalidade. Era preciso educar a criança desde o nascimento nos ensinamentos de boas atitudes, modos e regras importantes para o convívio social. Mas, esclarecia: a educação de doutrinas religiosas nas escolas era dispensável na visão dele, considerava importante o ensinamento de questões morais relacionadas ao conteúdo científico, defendia o ensino público essencialmente laico, sem intervenções de religiões. Rui Barbosa preferia ver as crianças com lápis de desenhar na mão, a ver crianças tentando decifrar a leitura filosófica da bíblia, ou a vê-las seguindo ensinamentos sem aplicação concreta no seu desenvolvimento intelectual.
capítulo V
Métodos de ensino do desenho no mundo.
As reflexões propostas por Rui Barbosa, sobre o ensino do desenho na sala de aula, sugerem práticas criativas. Para o intelectual brasileiro, os melhores métodos estrangeiros, considerando a sua possível aplicação no Brasil, foram criados na Inglaterra, Áustria e Estados Unidos. Abaixo, pontos principais dos métodos aplicados em cada país:
Inglaterra:
-Dividir os alunos por aptidão;
-Intercalar o desenho de memória, o desenho de invenção e o desenho de tempo fixo;
-Nunca corrigir o desenho do aluno, a não ser em uma folha à parte;
-Usar primeiramente o crayon (giz de cera), e não o lápis;
-Cores e perspectiva devem ser ensinados no fim do curso.
Áustria:
-O papel deve ser quadriculado;
-Depois do uso do papel quadriculado, deve-se retirar as linhas e deixar somente os
pontos, antes da utilização do papel em branco;
-Não devem ser usados instrumentos de precisão nas primeiras lições ;
-Variar os materiais nas primeiras aulas é fundamental: o crayon, a aquarela e o lápis de
cor podem facilitar uma maior intimidade do educando com diversos materiais.
Estados Unidos:
-O desenho é um elemento chave da educação geral: todo aluno deve aprender;
-O desenho deve facilitar o estudo de outras disciplinas e a elas estar relacionado;
-Deve-se ensinar o desenho à mão livre, depois por modelos e então de memória,
progressivamente;
-Relacionar o desenho e a geometria é fundamental; passar do desenho de contorno para
o desenho com mais detalhes, retornar ao desenho de contorno, mas, com ênfase na
geometria.
capítulo VI
Atualidade do ensino e aprendizagem
do desenho nas escolas.
Os parâmetros curriculares nacionais( PCN) da secretaria de educação fundamental, de 1997, considera desenho e arte com função importante quanto à dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem. O desenho, destaca PCN, propicia o desenvolvimento da criatividade, do pensamento artístico e da percepção estética, que caracterizam um modo próprio de ordenar e dar sentido a experiencia humana; o aluno desenvolve sua sensibilidade, percepção e imaginação,tanto ao realizar formas artísticas, quanto na ação de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas.
O conhecimento da arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma compreensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente: a arte ensina que é possível transformar continuamente a existência, que é preciso mudar referencias a cada momento, ser flexível.
Os parâmetros curriculares nacionais afirma que o universo da arte desenvolve a criatividade e caracteriza um tipo particular de conhecimento a partir das perguntas fundamentais que o ser humano sempre fez com relação ao seu lugar no mundo.
Nesta linha,a escritora norte-americana, Betty Edwards, destaca: criatividade é a capacidade de encontrar novas soluções para um problema, ou novas formas de expressão; o ato de dar existência a algo novo para o indivíduo. No seu livro/método,“Desenhando com o lado direito do cérebro”(1984), evidencia que o aprendizado da habilidade do desenho de observação, pode ser adquirido por qualquer pessoa, e sem muito esforço conseguir resultados visuais convincentes. Artista plástica, escritora e professora de desenho, Edwards defende que a capacidade de desenhar bem não depende de talento inato, e esperando que todos seus alunos aprendessem desenhar de forma natural, começou a pesquisar este aprendizado em sala de aula em 1968; os resultados alcançados animaram-na a prosseguir nas suas experiencias. A aplicação dos, seus, exercícios, apresenta sempre o mesmo resultado:pessoas que se consideravam sem a mínima aptidão para o desenho e, que não acreditavam que podiam adquirir tal aptidão, produzem desenhos cujo resultado visual apresenta semelhança com o objeto representado; e isto lhes proporciona satisfação.
No Brasil, diferente dos principais países desenvolvidos, a habilidade do desenho de observação, não é considerado primordial para a vida social, como o são as habilidades da matemática, da língua portuguesa, da informática e da língua estrangeira. No entanto existe uma busca insistente de pensadores preocupados com o desenvolvimento do povo e do ensino atual, por cursos que desenvolvam tal habilidade.
Por outro lado,defensores do conceito contemporâneo de desenho, lembram que atualmente não se prioriza resultados visuais semelhantes aos objetos representados, nem mesmo a utilização de tais objetos, servindo-se antes, da imaginação e da expressão pessoal de cada desenhista. Para estes, a preocupação em desenhar bem objetos representados, é para talento inato, ou para pretendente a carreira de artista plástico. Defendem que os alunos deveriam ser divididos por aptidão, a exemplo dos ingleses.
Algo não aplicável no Brasil, onde a prática da educação prioriza um tratamento sem distinção a todos os alunos em sala de aula, indiferentemente se tem, ou não, talento para o desenho, evidenciando assim a ideia de inclusão social.
O conceito de dom inato, tão valorizado pelos críticos, estudiosos e comerciantes da arte, não se enquadra à realidade da escola brasileira, onde os resultados são de experimentação e não de profissionalização imediata.
Desta forma, Betty Edwards defende: Ao desenhar e experimentar desenvolver criações artísticas, a pessoa recorrerá intensamente a uma parte do seu cérebro que é quase sempre obscurecida pelos intermináveis detalhes do cotidiano, e a partir da experiencia de explorar a criatividade, o indivíduo desenvolverá a capacidade de perceber as coisas de uma maneira nova, em sua totalidade, de descobrir configurações e possibilidades ocultas para novas combinações, soluções criativas para problemas pessoais, ou profissionais, tornar-se-ão acessíveis de novas maneiras de pensar, e novas formas de utilizar todo poder do cérebro. Através do desenho, a pessoa se torna visível; quando o artista está vivo em qualquer pessoa, qualquer que seja o seu tipo de trabalho, ela se torna uma criatura inventiva, pesquisadora, ousada, expressiva, interessante, perturba, esclarece e abre caminho para uma nova compreensão.
Para Edwards, ao se aprender aquilo que é fundamental as artes visuais: como pôr no papel representações do que se vê diante dos olhos, adquire-se a habilidade de pensar de forma mais criativa em outras atividades, e naturalmente, também passa agir com serenidade em todas as questões cotidianas.
No ponto de vista da teoria de iniciação científica de Edwards, o desenho infantil deve ser estimulado, não com intenção de unicamente ensinar as técnicas, mas pelo fato de ser um importante processo de aprendizagem. É a oportunidade da criança se expressar, de expor de forma concreta seus pensamentos e sentimentos. A medida que desenha, diz Edwards, ela aprende, organiza e concretiza seus pensamentos; ao mesmo tempo em que lhe dá autoconfiança por estar construindo e se expressando livremente. Assim, insiste Edwards: Qualquer pessoa pode desenvolver a habilidade do desenho, de desenhar com segurança e bem. Para fortalecer suas teorias, cita Albrech Dürer, pintor alemão:“O tesouro que você ajuntou secretamente em seu coração, se tornará evidente no seu trabalho criativo.”
capítulo VII
A ação metodológica.
A ação metodológica deste: Método oficina valorizando desenho, aplicando cor, de Cesar Otacílio, tem como princípio fortalecer a capacidade natural de desenhar e colorir que cada pessoa possui, elevar potencial próprio que todos tem para se expressar plasticamente através de traços e cores.
A prática sugere forma positiva de observar cotidiano, com busca da visão ampla das situações que surgirem, tanto na vivencia como nos objetos a desenhar e colorir.
Ao ministrante, na aplicação desta metodologia, além de ter de ser, obrigatoriamente, bom desenhista, conhecedor das técnicas do desenho e pintura artística, deverá ser, também, um leitor inveterado de todos os assuntos, desta forma estará apto a conversar sobre assuntos diversos, de interesse, em sala de aula. Deverá ser ainda: apreciador acima da média de teatro, cinema, música, artesanato, ecologia, mecânica, ciências, esportes, entre outros assuntos. Desta forma, durante a ação deste método em sala de aula, o ministrante deverá fazer uso do seu conhecimento geral para ilustrar com comentários e opiniões acerca de situações, ou perguntas dos educandos, isto desde artes plásticas a outras áreas do conhecimento.
No desenrolar dos exercícios propostos, é previsível que nem todos os alunos os praticarão de forma descontraída, alguns não levarão sua criação até o fim, e será constante as afirmações convictas de incapacidade de desenhar, e não terminarão trabalhos iniciados. Sempre haverá negativismos que o ministrante deverá combater para não diminuir produção na sala de aula. Nesta situação, a máxima a ser repetida: não existe desenho feio, bonito, genial ou insignificante; não precisa ser tipo fotográfico, como comumente é objetivado, pode ser como se quer, do jeito que se quiser, de qualquer jeito, se o praticante tiver domínio de si e do trabalho. Completando este raciocínio, o ministrante poderá observar: plasticamente existe apenas desenho, e olhos que gosta da imagem e que não gosta da criação; algo que não deve ser preocupação de quem produz, porque, a prática, é que faz bons desenhistas.
Perguntas simples desverão ser feitas pelo ministrante a estimular produção aos alunos:
-Alguém nesta sala nasceu andando? Falando? Escrevendo? Andando de bicicleta?
-Não? Ninguém? ( continua perguntando o ministrante).
-Pois é, desenhar é igual, se aprende praticando (completa).
Nesta altura, o aluno já percebeu a liberdade que tem para produzir e criar imagens da forma que desejar. Com esta liberdade, junto a princípios técnicos aprendido, o aluno desenvolverá segurança para desenhar em sala de aula e em casa temáticas que mais agradar sem temores de estar no caminho errado.
O ministrante deverá instigar continuamente o aluno a produzir, ou prosseguir seu desenho, terminar sua criação, fazer perder o medo de desenhar, acreditar no seu talento natural e gostar do que produziu.
O desenho de memória e de observação será relevante na aplicação desta metodologia, de valorização ao desenho, e também, ao crescimento intelectual do praticante.
O ministrante, seguro do seu traço desenhístico, deverá desenhar no quadro, nunca na criação do aluno para mostrar caminhos, traços, técnicas e princípios plásticos possíveis a embelezar criações.
Dirá o ministrante:
- Desenhar é simples, qualquer traço pode virar uma bela imagem. Exemplo: não se constrói uma casa na papel e sim desenha-se uma casa no papel, ou pinta-se a imagem de uma casa, que não é real, é apenas um desenho, que pode ser, como já sabemos, como se quer, até de telhado para baixo, com vacas voando ao redor, se assim o desenhista desejar.
Com os exercícios propostos neste método, o aluno percebe que tratando-se de desenho artístico tudo é correto e o importante é a produção; para cada desenho uma solução própria, para cada traço um caminho a explorar, para cada cor: grandes possibilidades.
Com o positivismo que este método propõe, o aluno trabalha / trabalhará empolgado com sua criação, ao acabar vai querer produzir outra, só para ver como ficou, apreciá-la acabada, apenas.
A citação dos grandes mestres da arte deverá ser uma constante na aplicação dos exercícios propostos nesta metodologia. Por exemplo: quando o exercício é sobre a natureza, ou de observação da natureza, citar, se possível com apresentação de imagens para apreciação através de livros ou aparelhagem eletrônica, de obras de artistas diversos, desde Reembrandt, Rafael, Dürer, Portinari, Martinho de Haro a artistas regionais que vivem próximo a escola. Já quando o exercício for natureza morta, citar ou mostrar imagens de obras de Rubens, Cezanne, Morandi, Picasso, Braque, Gleizes, entre muitos outros. Desta forma, para cada temática o ministrante deverá citar nomes e obras de artistas importantes ao desenvolvimento da arte regional, nacional e mundial em todos os tempos.
Para cada situação vivida na sala de aula, uma forma positiva a se posicionar, sempre um estado de espírito tranquilo a transmitir. Até situações onde alunos resolvem fazer gracinhas, teimam em contar piadinhas, rir um para outro, para a turma toda, irritam e atrapalham. Neste caso, tranquilo, não deixando a situação ser dominada, o ministrante poderá partir para a linha do humor, dizendo por exemplo :
-Turma, rir é importantíssimo ao ser humano. Muitos profissionais, os humoristas ganham
a vida fazendo as pessoas rir. Mas, passariam fome se não tivessem inteligencia para fazer
humor, porque para fazer humor é preciso ter inteligencia; então, alunos (dirigindo-se aos
alunos humoristas) vamos lá... mostrem-nos esse humor...todos queremos rir...(convida-os):
querem mostrar na frente de todos..vamos lá, mostrem esse humor que tanto faz vocês rir;
porque as pessoas riem por felicidade, a toa quando estão com muito dinheiro, quando
alguém as faz rir, ou por estado débil da mente...então, não querem mostrar? não?...não
mesmo?...então...vamos trabalhar sem atrapalhar a aula, e sem esse humor sem graça. Jamais, em situação alguma, o ministrante, ao praticar este método, deverá levantar a voz de forma estridente, com gritos e ameaças de castigos, para manter ordem na sala de aula. Quando isto tornar-se próximo de acontecer, o ministrante deverá ficar em silencio, impávido, olhando-os, até tudo voltar ao normal, apenas mantendo a calma, e a segurança, para motivar a turma a trabalhar nos exercícios propostos. Estado de espírito positivo e bom humor para superar pequenos problemas na sala de aula, essa é a regra para aplicação deste método.
Nesta metodologia, não é orientado aos alunos exercícios de releituras de obras de artistas conhecidos, mas sim promover momentos de observação de obras de arte de artistas, famosos ou não. Dependendo do exercício em que se estiver trabalhando, o aluno terá liberdade de usar referenciais para desenvolver suas criações, que pode ser de obras conhecidas, se assim o estudante desejar e gostar.
A observação será meio relevante para exercitar o olhar, com isto fazer com que aperfeiçoa seus desenhos e aplicações de cores. Com aulas praticadas ao ar livre direcionar exercícios de observação da natureza, dos detalhes, das cores, movimentos, mudanças de luz, proporções das formas e as perspectivas.
Ensinar a observar com mente aberta, olhos e coração.
0bom desenhista é, antes de tudo, um grande observador, poderá destacar o ministrante.
Desenhar, antes de ser com a mão, é com o cérebro, depois é que se faz no papel, não importando quem seja o desenhista. Para ser bom desenhista, tudo que se precisa fazer é dominar a mão a desenvolver no papel aquilo que está claro no cérebro, algo que exige concentração, perseverança, prática constante e persistência no objetivo a alcançar.
Usando esta metodologia de estímulo a produção de desenhos artísticos, é certo que todos os praticantes passam a desenhar com mais segurança e a gostar das suas produções.
Assim, pensamentos de alguns estudiosos são destacados nesta prática de valorização do desenho e aplicação da cor.
São eles:
Jean-Jaques Rousseau (França):
- A educação deve seguir a natureza e os princípios da liberdade, da bondade inata do ser e da personalidade individual de cada criança.
- Antes de ensinar as ciências, as crianças precisam ser lavadas a despertar o gosto pelo seu estudo.
- Os verdadeiros professores são a natureza, a experiencia e o sentimento.
Johann Heirich Pestalozzi (Suiça):
- Valorização da intuição e uma educação não repressiva, com cultivo ao sentimento, da mente e ao caráter.
- Lições pelas coisas, pelos olhos, pelos ouvidos, pelo tato, pelo cheiro e pelo gosto.
- As crianças são boas por natureza, elas tem tendencia natural para se desenvolverem.
- Unidade da mente, coração e mão.
Rui Barbosa de Oliveira (Brasil):
- O desenho é desde a pré-história um dote acessível a todos os homens, nunca foi um dote exclusivo dos artistas.
- A disciplina do desenho deve ser ministrada antes mesmo das primeiras letras.
- O desenho é uma inclinação natural do espírito humano.
- O desenho é um precioso auxiliar a vários ramos do ensino.
- O desenho age como objeto disciplinador e é forma de aperfeiçoar e cultivar o espírito ordeiro.
- O desenho é um agente capaz de operar no mundo com transformações incalculáveis, prosperar e vestir povos com o manto da prosperidade.
Betty Edward (EUA):
-O aprendizado da habilidade do desenho de observação pode ser adquirido por
qualquer pessoa.
-Desenhar bem não depende de talento inato.
-Através do desenho, a pessoa se torna visível, inventiva, pesquisadora, ousada,
expressiva, interessante, perturba, esclarece e abre caminho para um nova
compreensão; adquire-se habilidade de pensar de forma mais criativa em outras
atividades.
capítulo VIII
Exercícios com conteúdo interativo.
O conteúdo do Método oficina valorizando desenho, aplicando cor, de Cesar Otacílio, é de ação interativa propondo exercícios temáticos de impacto regional aonde o método está sendo ministrado. Para a execução dos exercícios, não são oferecidas formulas milagrosas, nem mirabolantes, ou prometendo transformar quem nunca desenhou num profissional técnico,ou num artista talentoso, mas simplesmente incentivar a quem tem interesse a fazer desenhos, de forma natural, instigar perder medo dos resultados, colocar pra fora, em forma de traços e cores, sem preocupação alguma aquilo que se está sentindo, indiferente ao que seja; a livrar-se de rótulos, a libertar-se de parâmetros, escolas, técnicas, tendencias, desenhar por desenhar, apenas.
Exercício 1:
Luz e sombra na cor.
Este exercício propõe execução de um desenho de temática livre, tipo aqueles que se desenha quando se está sozinho, sem nada para fazer e desenha-se para o tempo passar.
Com este exercício o ministrante poderá conhecer capacidade e preferencia temática do aluno, conhecer talento natural de cada um.
Com explicações e orientações do ministrante, o aluno entrará no segredo da beleza de uma obra de arte, na utilização das cores claras e escuras. O ministrante poderá citar alguns pintores que ficaram famosos por explorar o claro-escuro; como: Reembrandt, Caravágio, Dürer, Rego Monteiro, Tarsila do Amaral, entre outros.
Usando este conceito, o aluno perceberá que seu trabalho poderá ficar muito atraente na definição dos resultados.
Material para execução deste exercício:lápis de cor, preferencialmente tipo aquareláveis, papel canson a4, lápis macio de desenhar e borracha.
Exercício 2:
Gestos circundantes.
A proposta deste exercício é desenhar circunferências com lápis de desenhar, ou caneta de escrever, numa folha a4, com tamanho de aproximadamente 3 centímetros para cada círculo.
O objetivo deste exercício é fazer com que o praticante alivie a mão e a a tensão dos músculos no gesto do traço e filetes sobre o papel. Ao praticar esta tarefa a cada vez que sentir a mão sem muita firmeza, o aluno melhorará seu desenho, sua letra e terá vontade de desenvolver uma assinatura para si.
O ministrante poderá mostrar, nas circunferências desenhadas dos alunos a tensão contida no traço, também o nervosismo, a insegurança e a ansiedade aparece nas circunferências.
Exercício 3:
Desenhando sem borracha e sem medo.
A proposta deste exercício é a criação de um desenho de temática livre sem a utilização da borracha de apagar, apenas na cor preto (monocromático) para definir luz e sombra.
O objetivo é fazer com que o aluno perceba a necessidade de ir transformando seus traços iniciais, trabalhar devagar e desenhar de forma leve, não afobar-se na criação. Com isto, se errar terá que modificar e adaptar sua obra com novas soluções. Ao definir em traços o movimento, a luz, a sombra e a emoção no trabalho, o aluno exercitará intensamente sua criatividade e perceberá que a utilização da borracha de apagar é dispensável, que é possível fazer obras belas utilizando apenas uma cor.
Exercício 4:
Meu dinheiro.
A proposta deste exercício é o desenvolvimento e da observação da arte gráfica pelo aluno. O mote é fazer com que o aluno sinta-se alguém poderoso, dono de um império, presidente de um país, diretor da casa da moeda com poderes de emitir sua própria moeda. A sugestão é que o aluno ceie um modelo de dinheiro numa folha a4, podendo ser uma moeda ou uma nota de papel, com características pessoais de valores e temáticas. Propor observação ao dinheiro vigente e para que se inspirem em homenagear alguém, que pode ser nomes de membros da família, eles próprios, para dar nome as suas notas ou moedas, ex: nota de 20 Carlos da Silva, 53 Jéssica Antunes, 17 João Felipe, moeda de 13 Maria Fernanda, 8 Pedro Manuel, etc.
Com a execução deste exercício, os alunos passarão a observar mais as reproduções de obras de arte que tenha o dinheiro como tema, como as obras dos artistas Pop. Também, observar mais detalhes gráficos das notas do dinheiro vigente.
Exercício 5:
Tirinha humor na escola.
Para desenvolvimento deste exercício, a proposta é a formação de equipes com 4 a 5 membros para desenvolver roteiro e criação de uma tirinha de 4 a 6 quadrinhos, com título, legendas, onomatopeias e balões.
O mote é criar uma historinha onde o aluno não obedece a professora e, querendo ser esperto, acaba se dando mal fazendo a turma toda rir. Ex:a professora repetiu várias vezes para ninguém correr no corredor, mas alguns espertinhos não obedecem e correm feitos loucos e...acabam se chocando caindo cada um para um lado. Ou: A professora não se cansa de avisar: ao comer bananas é preciso jogar a casca na lixeira para lixo orgânico, mas Joãozinho nunca obedece e num dia veio um amiguinho correndo, pisou na casca e se esparramou no chão, caiu para trás e ao cair deu, sem querer, um chute bem forte no traseiro do Joãozinho. Etc.
Ao estar definido, em equipe, o roteiro da tirinha, cada membro fará seus próprios quadrinhos, com seus próprios traços e cores sem preocupação com a forma de ser.
Com a prática deste exercício o aluno divide e discute suas ideias com os colegas, aprende a trabalhar comunitariamente e a fortalecer atitudes construtivas na escola.
Exercício 6:
Imagem referencial.
Neste exercício, a proposta aos alunos é a abertura de um livro de estudo que se encontra na mochila, podendo ser de geografia, de ciências ou de história, para escolher uma imagem fotográfica para ser referencial de duas criações: uma multi cromática (colorida), outra monocromática preto).
O objetivo é fazer com que os alunos observem mais atentamente as imagens que se encontra nos livros de estudos, os coloridos contido nas imagens, a luz, as cores, os movimentos, e a diversidade temática para desenvolvimento de desenhos, a observação da perspectiva.
Praticando este exercício, o aluno melhorará seu traço e se preocupará com detalhes e cores contidos numa imagem que pode ser usada como referencial para criação de uma obra única.
Exercício 7:
Nome e logomarca de equipe.
A proposta deste exercício de grupo é para que os membros a batizem e criem uma logomarca para sua equipe. É preciso destacar que o nome e a logomarca terá que ser original, podendo até sofrer influencia de marcas conhecidas, nunca copia de alguma. Neste exercício , o aluno volta a ter contato com as artes gráficas e discute sobre o assunto com os colegas para desenvolver uma criação exclusiva.
Na prática desta tarefa, o estudante pesquisa, observa, desenvolve a criatividade,também a partir deste enfoque passará a observar mais atentamente imagens comerciais diversas ao seu tedor, como as embalagens de produtos no mercado, logomarcas de empresas e o contato com o processo de campanhas publicitárias para a aprovação de uma logomarca, algo comum nos dias atuais.
Exercício 8:
Mascote de equipe.
Neste exercício, com a mesma equipe do exercício anterior, os alunos adotarão uma mascote para seu grupo, usando a fauna e a flora regional como referencia. Após, cada membro desenvolverá um desenho com a mascote no seu ambiente natural.
Nesta prática, o estudante aproxima-se da fauna e da flora da sua região, além de desenvolver traço e criatividade passará a proteger e a conhecer melhor plantas e animais que vivem ao seu redor, sendo a partir deste momento, e sem saber, um futuro protetor da ecológica da sua região.
Exercício 9:
Coisa minha.
Neste exercício, a proposta é desenhar e pintar uma composição usando como tema e modelo objetos de uso escolar, como: lápis, borracha, tesoura, penal, livros, estojos, régua, apontador, tubo de cola, etc.
Com a ação deste exercício, um novo olhar surge ao aluno em relação aos seus objetos escolares. A partir, passará a vê-los de forma diferente, em como o tubo de cola pode ser transformado numa imagem assustadora, em algo poderoso e estranho. O penal com o zíper em destaque pode ser algo surrealista lembrando sonho ou pesadelo. O apontador pode virar foguete interplanetário uma régua e um lápis, pode virar avião, navio, poste de luz, colunas de templos; livros voando pode ser retrato de uma ventania, etc. Com este olhar aos objetos, o aluno passará a cuidar mais dos seus utensílios de uso escolar, a conservar e a fazer bom uso deles.
Exercício 10:
Peixes.
A proposta deste exercício é a criação de um trabalho com a temática peixes nadando no seu ambiente natural. Com esta prática o aluno tem contato com a vida aquática valorizando seres que vivem nos rios e mares. A tarefa desafia a capacidade de desenhar e colorir motivos temáticos e em movimentos.
Exercício 11:
Natureza morta.
Neste exercício, a proposta é o desenvolvimento de um trabalho com a temática natureza morta; ou seja:criar uma composição com frutas, garrafas, bules, chaleiras, panelas, etc.
Na prática deste exercício de observação, ou de memória (como o ministrante preferir), direcionará o aluno a preocupação da luz e da sombra no trabalho desenvolvido. Por tratar-se de uma composição que exige arranjo com forte contraste de cores, o aluno poderá trabalhar os detalhes no método mais antigo conhecido: para banhar as frutas de luz e volume, uma área colorida é sempre mais clara que outra, bastando apenas escolher e seguir a direção da luminosidade desejada.
Referencias para observação: obras de Velasques, Cézanne, Picasso, Braque, Monet, Portinari, outros.
exercício 12:
Entrando para o mundo da aquarela.
A proposta deste exercício é o aprendizado das técnicas da aquarela artística. Inicialmente, ensinar as maneiras corretas da utilização dos pincéis e da hidratação das cores. Mostrar as enormes possibilidades colorísticas da aquarela, onde a cor escura sobressai a clara e ensinar a necessária eliminação dos excessos da massa colorida para dar transparência e iluminação ao trabalho.
Exercício 13:
Água tenebrosa.
A proposta deste exercício é a criação de um trabalho de impacto social, uma crítica a poluição desenfreada das águas feita pelo homem.
Temática: água poluída com lixo, caveiras, ossos, pneus, esqueletos, peixes mortos, e outras desgraças boiando ou afundados na água podre.
Exercício 14:
Rua em perspectiva.
A prática deste exercício é desenhar e pintar uma rua com casas, prédios ou fábricas, sendo vista de determinado lugar, em perspectiva.
Neste exercício, o aluno desenvolve o olhar e a visão técnica das coisas a sua frente, percebe que para dar profundidade a um desenho, deverá trabalhar ângulos, pontos de fuga e luz.
Exercício 15:
Gosto meu.
Neste exercício, a proposta é o desenvolvimento de um trabalho inspirado em alguma coisa de gosto do aluno: como: comidas, roupas, flores, times de futebol, animais de estimação, veículos automotores, pessoas, paisagens, máquinas, etc.
Na prática deste exercício, o aluno percebe que trabalhar uma temática de agrado pessoal é mais empolgante, a inspiração é maior, o estímulo e o prazer da produção tornam o resultado final muito mais compensador.
Exercício 16:
Profissão vital desvalorizada.
A proposta para desenvolver este exercício é em trabalho de equipe para escolher uma profissão vital que que o grupo considerar pouco valorizada. Depois da escolha da profissão, cada membro da equipe desenvolverá uma criação com a temática defendida.
Na prática deste exercício de impacto social, os alunos discutirão a importância de cada profissão, e comprovarão que qualquer tema pode servir de modelo a criação de trabalhos artísticos.
Exercício 17:
Camiseta mascote.
O desenvolvimento deste exercício é pintar com tinta de tecido numa camisetas branca, a mascote adotada na equipe. Cada aluno pintará sua camiseta inspirado na sua mascote de equipe. Neste exercício, alem do aluno fortalecer espírito ecológico acerca do ambiente natural onde vive, passará a ter segurança para pintar suas próprias peças do vestiário.
Exercício 18:
Dia de primavera.
Neste exercício, a proposta é selecionar um de primavera para apreciar, desenhar e pintar com aquarela. Um dia para sair da sala de aula e trabalhar ao ar livre num belo local com muitas árvores, flores, água corrente e com muitas possibilidades temáticas de inspiração para desenhar e pintar com tranquilidade.
Neste dia, um dia especial, uma espécie de piquenique artístico(com comida preparada especialmente a ocasião), os alunos serão incutidos a produzir seus trabalhos relacionados ao ambiente e ao momento.
A prática deste exercício aproxima o aluno ao ambiente natural aonde vive e a infinita possibilidades temática oferecida pela natureza para desenhar e pintar.
Exercício 19:
Revista interativa em quadrinhos.
Neste exercício, a proposta é o desenvolvimento de uma revista em quadrinhos interativa a região onde este método esta sendo administrado. Propor roteiros para historinhas de impacto regional, com cada aluno ficando responsável por um quadrinho. Os textos básicos devem serem criados pelo ministrante, ou crônicas de outros autores, junto aos alunos, transformando em quadrinhos situações de enfoque histórico, como: política, primeiros moradores, desbravadores, heróis, aventuras épicas, passeio aos pontos turísticos, pescaria ou navegação num rio importante para a região, etc.
Para o desenvolvimento do trabalho, o ministrante deverá organizar uma eleição na sala de aula e eleger alunos assistentes para a historinha em quadrinhos.
Assistentes a eleger:
- Aluno diretor desenhista ( o melhor desenhista da classe).
- Aluno diretor da pesquisa iconográfica (aquele que gosta de olhar fotos, recortar e guardar imagens de revistas, etc.).
- Aluno diretor da pesquisa histórica( aquele que adora de ler e visitar a biblioteca).
- Aluno diretor colorista ( o melhor colorista da classe).
- Aluno diretor de cena HQ ( o mais criativo em fazer teatro humorístico na sala, muitas vezes perturbando a ordem).
Exercício 20:
Obra para exposição.
Para este exercício, a proposta é o desenvolvimento de uma obra em aquarela especialmente para a promoção de uma mostra de arte na escola.
Capítulo IX
Método Oficina, de Cesar Otacílio,
nas escolas municipais de Pouso Redondo.
No início do ano letivo de 2011, a prefeitura de Pouso Redondo com objetivo de implantar um departamento de fortalecimento da arte e da cultura no município, contratou o artista plástico Cesar Otacílio para ser diretor e ministrar seu método de valorização ao desenho nas escolas municipais aos alunos do pré a oitava série.
Proposta apresentado pelo próprio artista, que é natural do mesmo município, despertou interesse nas autoridades pelo aspecto interativo e de estímulo a produção que o método possui. O prefeito, sr. Jocelino Amancio, a secretária de educação, sra. Vilde Fachini Kurt, e os diretores das escolas municipais, logo perceberam o alcance que o método propõe para melhorar desenvolvimento artístico e humanístico nos alunos. Apreciaram o conteúdo interativo e de ação que o conteúdo propõe, a forma descontraída sugerida para apresentação dos exercícios, e os pensamentos e as reflexões sobre a importância do desenho ao desenvolvimento intelectual.
Ao apresentar seu método, Cesar Otacílio se propôs a ministrá-lo como forma de aplicá-lo experimentalmente aos estudantes do ensino fundamental deste município da região central de Santa Catarina.
Através do contato direto com alunos, a quem o método é direcionado, o autor pretende aperfeiçoar ainda mais sua metodologia para que o objetivo principal, que é simplesmente de estímulo a produção de desenhos por qualquer pessoa, se fortaleça cada vez mais.
Neste método não é destacado formulas mirabolantes ou mágicas facilitadoras a execução de desenhos, mas sim, um incentivo ao talento natural que todos tem para desenhar. Através do desenho, um meio a transmitir emoções, pensamentos e maneira própria de ver o mundo a qual vivemos.
Capítulo X
Declaração Prefeitura Pouso Redondo.
Cesar Otacílio Gomes ocupa atualmente o cargo de Diretor Artístico e Cultural do Município de Pouso Redondo, desenvolvendo seu trabalho junto aos Centros Educacionais Pe. José Balistieri, Pe. Dionisio Peluso, Pombinhas e Máximo Nardelli, durante as aulas de artes em conjunto com o professor de artes de cada educandário, Cesar Otacílio ensina técnicas de artes, fazendo também um trabalho que envolve os alunos no resgate da história local de Pouso Redondo.
Agora Cesar Otacílio lança mais dois de seus trabalhos, um dos trabalhos é a revista interativa em quadrinho que fala sobre a História do Município de Pouso Redondo e foi ilustrada pelos Centros Educacionais, participantes do projeto do artista. O outro trabalho fala sobre o Método oficina valorizando desenho aplicando cor, onde tem como objetivo levar aos Centros de Educacionais, a propagação da prática e realização de oficinas experimentais de desenho artístico; reflexão sobre o valor da prática do desenho, criativo e de observação, ao desenvolvimento intelectual do aluno.
Todos esses trabalhos serão estimulo para a cultura de Pouso Redondo, pois são trabalhos coloridos, dinâmicos e que enriquecem a nossa literatura diária, envolvendo o publico escolar de forma a manter viva a nossa história entre todas as gerações pousoredondenses.
capítulo XI
Comentários, fotos, e a produção dos alunos
em Pouso Redondo 2011.
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